sexta-feira, 1 de abril de 2011
CAVALO INDOMÁVEL
Cavalo chucro, indomável, esta vida.
Livre
Sem rumo
Aos pinotes
Pelos campos cavalga
Crinas ao vento
Compasso cadenciado
Suas patas
Bate no chão
Cavalo chucro, indomável, esta vida.
A cabeça balança
Não se deixando dominar.
Nela ponho cabresto
Querendo controlar.
Cavalo chucro, indomável, esta vida.
Segue me levando adiante,
Sem que eu saiba
Onde vou chegar.
Livre
Sem rumo
Aos pinotes
Pelos campos cavalga
Crinas ao vento
Compasso cadenciado
Suas patas
Bate no chão
Cavalo chucro, indomável, esta vida.
A cabeça balança
Não se deixando dominar.
Nela ponho cabresto
Querendo controlar.
Cavalo chucro, indomável, esta vida.
Segue me levando adiante,
Sem que eu saiba
Onde vou chegar.
quarta-feira, 30 de março de 2011
Sonhos de um GURI Campeiro!
Muito mais que somente um guri,
É um pequeno homem das lidas campeiras.
De calça curta e pés no chão,
Na cabeça, um chapéu velho de aba quebrada
-Herança do seu avô-
E na cintura, uma cherenga
Presa num tento de couro cru.
Na escola do galpão
Aprendeu a amar o pago.
Ouvindo os versos de algum xirú
Ou um bordonear de guitarra,
Nem pensa em deixar a estância
Por povoeiras ilusões.
Os sonhos de um guri campeiro
São estrelas que se fundem
Num céu de imagens rurais
Onde a pata de cavalo e a ponta de lança
São luzeiros que iluminam as fantasias
E guiam os passos de um piá.
Quando um velho conta um causo
Se deixa cabrestear
Pelas histórias de guerra,
E nas rodas de galpão
Sonha que é herói
De lenço colorado no pescoço,
Montando o flete mais lindo
E com a espada firme na mão.
E o guri vira soldado
Nas arrancadas de "Noventa e Três",
É Adão Latorre nas degolas
Frente a Maneco Pedroso
Para a bênção sangrenta
No fio da adaga colorada.
Mas, sem entender o porquê das guerras,
Passa de Honório a Flôres
-Foi chimango e maragato
Nos causos de "Vinte e Três"
Pois pra ele a cor do lenço não justifica
Lutar irmão contra irmão.
Não sonha com naves loucas
Ou com seres de outro mundo,
Viaja no lombo dos pingos
Nas cargas de lança
E nos tiros de laço.
Era soldado e peão
Nos tempos que o fio de barba
Era o documento mais honrado.
Mas...
Antes mesmo
Do sol brotar por entre os serros
As infantis fantasias
Viram terrunhas realidades:
Buscar as vacas de leite,
Trazer água da cacimba,
Campear uma rês perdida,
Cumprir a faina exigida
Porque na lida de campo
Trabalho não tem idade.
Aproveita, guri!
Ainda és novo!
O teu inseguro porvir
Tirará estrelas do céu,
E os teus mágicos devaneios
Darão lugar a tristes realidades.
O soldado peão de teus encantos
Se apagará da memória
E as guerras fantasia
Serão lutas de sustento
Contra máquinas letais.
Na construção de um novo mundo
Não haverá lugar para sonhos.
O teu trabalho de campeiro
Vai sumir nas construções.
Sonha, sonha enquanto há tempo,
Pois os sonhos acalentarão
Teu futuro de incertezas
.
É um pequeno homem das lidas campeiras.
De calça curta e pés no chão,
Na cabeça, um chapéu velho de aba quebrada
-Herança do seu avô-
E na cintura, uma cherenga
Presa num tento de couro cru.
Na escola do galpão
Aprendeu a amar o pago.
Ouvindo os versos de algum xirú
Ou um bordonear de guitarra,
Nem pensa em deixar a estância
Por povoeiras ilusões.
Os sonhos de um guri campeiro
São estrelas que se fundem
Num céu de imagens rurais
Onde a pata de cavalo e a ponta de lança
São luzeiros que iluminam as fantasias
E guiam os passos de um piá.
Quando um velho conta um causo
Se deixa cabrestear
Pelas histórias de guerra,
E nas rodas de galpão
Sonha que é herói
De lenço colorado no pescoço,
Montando o flete mais lindo
E com a espada firme na mão.
E o guri vira soldado
Nas arrancadas de "Noventa e Três",
É Adão Latorre nas degolas
Frente a Maneco Pedroso
Para a bênção sangrenta
No fio da adaga colorada.
Mas, sem entender o porquê das guerras,
Passa de Honório a Flôres
-Foi chimango e maragato
Nos causos de "Vinte e Três"
Pois pra ele a cor do lenço não justifica
Lutar irmão contra irmão.
Não sonha com naves loucas
Ou com seres de outro mundo,
Viaja no lombo dos pingos
Nas cargas de lança
E nos tiros de laço.
Era soldado e peão
Nos tempos que o fio de barba
Era o documento mais honrado.
Mas...
Antes mesmo
Do sol brotar por entre os serros
As infantis fantasias
Viram terrunhas realidades:
Buscar as vacas de leite,
Trazer água da cacimba,
Campear uma rês perdida,
Cumprir a faina exigida
Porque na lida de campo
Trabalho não tem idade.
Aproveita, guri!
Ainda és novo!
O teu inseguro porvir
Tirará estrelas do céu,
E os teus mágicos devaneios
Darão lugar a tristes realidades.
O soldado peão de teus encantos
Se apagará da memória
E as guerras fantasia
Serão lutas de sustento
Contra máquinas letais.
Na construção de um novo mundo
Não haverá lugar para sonhos.
O teu trabalho de campeiro
Vai sumir nas construções.
Sonha, sonha enquanto há tempo,
Pois os sonhos acalentarão
Teu futuro de incertezas
.
Que Diacho! Eu Gostava do Meu "CUSCO"!

Entendo. Envelheci entendendo.
Bicho não tem alma, eu sei bem,
mas será que vivente tem?
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Era uma guaipeca amarelo,
baixinho, de perna torta,
que me seguiu num domingo,
de volta de umas carreira.
Eu andava meio abichornado,
bebendo mais que o costume,
essas coisa de rabicho, de ciúme,
vocês me entendem, ele entendeu.
Passei o dia bebendo
e ele ali no costado
me olhando de atravessado,
esperando por comida.
Nesse tempo era magrinho
que aparecia as costela.
Depois pegou mais estado
mas nunca foi de engordá.
Quando veio meu guisado,
dei quase tudo prá ele.
Um pouco, por pena dele,
e outro, que nesse dia,
só bebida eu engolia
por causa dos pensamento.
Já pela entrada do sol,
ainda pensando na moça
e nas miséria da vida,
toquei de volta prás casa
e vi que o cusco magrinho
vinha troteando pertinho,
com um jeito encabulado.
Volta prá casa, guaipeca!
Ralhei e ralhei com ele.
Parava um puco, fugia,
farejava qualquer coisa,
depois voltava prá mim.
O capataz não gostou,
na estância só tinha galgo,
mas o guaipeca ficou.
Botei o nome de sorro,
as crianças, de brinquinho,
mas o nome que pegou
foi de guaipeca amarelo.
Mas nome não é o que importa.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Ficou seis anos na estância.
Lidava com gado e ovelha
sempre atento e voluntário.
Se um boi ganhava no mato,
o guaipeca só voltava
depois de tirá prá fora.
E nunca mordeu ninguém!
Nem as índia da cozinha
que inticava com ele.
Nem ovelha, nem galinha,
nem quero-quero, avestruz.
Com lagarto, era o primeiro
e mesmo piquininho
corria mais do que um pardo.
E tudo ia tão bem...
Até que um dia azarado
o patrãozinho noivou
e trouxe a noiva prá estância.
Era no mês de janeiro,
os patrão tava na praia,
e veio um mundo de gente,
tudo em roupa diferente,
até colar, home usava,
e as moça meio pelada,
sem sê na hora do banho,
imagino lá no arroio,
o retoço da moçada.
Mas bueno, sou doutro tempo,
das trança e saia rodada,
até aí não tem nada,
que a gente respeita os branco,
olha e finge que não vê.
O pior foi o meu cusco,
que não entendeu, por bicho,
a distância que separa
um guaipeca de peão
da cachorrinha mimosa
da noiva do meu patrão.
Era quase de brinquedo
a cachorrinha da moça.
Baixinha, reboladera,
pêlo comprido e tratado,
andava só na coleira
e tinha medo de tudo,
por qualquer coisa acoava.
Meu cusco perdeu o entono
quando viu a cachorrinha.
E les juro que a bichinha
também gostou do meu baio.
Mas namoro, só de longe
que a cusca era mais cuidada
que touro de exposição.
Mas numa noite de lua,
foi mais forte a natureza.
A cadela tava alçada
e o guaipeca atrás dela
entrou por uma janela
e foi uma gritaria
quando encontraram os dois.
Achei graça na aventura,
até que chegou o mocito,
o filho do meu patrão,
e disse prá o Vitalício
que tinha fama de ruim:
Benefecia o guaipeca
prá que respeite as família!
Parecia até uma filha
que o cusco tinha abusado.
Perdão, le disse, o coitado
não entende dessas coisa.
Deixe qu'eu leve prá o posto
do fundo, com meu cumpadre,
depois que passá o verão.
Capa o cusco, Vitalício!
E tu, pega os teus pertence
e vai buscá teu cavalo.
Me deu uma raiva por dentro
de sê assim despachado
por um piazito mijado
e ainda usando colar.
Mas prometi aqui prá dentro:
mesmo filho do patrão,
no meu cusco ninguém toca.
Pego ele, vou m'embora
e acabou-se a função.
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Campiei ele no galpão,
nos brete, pelas mangueira
e nada do desgraçado.
No fim, já meio cansado,
peguei o ruano velho
e fui buscá o meu cavalo.
Com o tordilho por diante,
vinha pensando na vida.
Posso entrá numa comparsa,
mesmo no fim das esquila.
Depois ajeito os apero
e busco colocação,
nem que seja de caseiro,
se nã me ajustam de peão.
E levo o cusco comigo
pois foi o único amigo
que nunca negou a mão.
Nisso, ouvi a gritaria
e os ganido do meu cusco
que era um grito de susto,
de medo, um grito de horror.
Toquei a espora no ruano
mas era tarde demais.
Tinham feito a judiaria
e o pobrezinho sangrava,
sangrava de fazê poça
e já chorava fraquinho.
Peguei o cusco no colo
e apertei o coração.
O sangue tava fugindo,
não tinha mais esperança.
O cusco foi se finando
e os meus olho chorando,
chorando como criança.
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Nessa hora desgraçada
o tal mocito voltou
prá sabê pelo serviço.
Botei o cusco no chão,
passei a mão no facão
e dei uns grito com ele,
com ele e com o Vitalício!
Ele puxô do revólver
mas tava perto demais.
Antes que a bala saísse,
cortei ele prá matá.
Foi assim, bem direitinho.
Não tô aqui prá menti.
É verdade qu'eu fugi
mas depois me apresentei.
Me julgaram e condenaram
mas o pior que assassino,
foi dizerem que o motivo
era pouco prá o que fiz...
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Bicho não tem alma, eu sei bem,
mas será que vivente tem?
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Era uma guaipeca amarelo,
baixinho, de perna torta,
que me seguiu num domingo,
de volta de umas carreira.
Eu andava meio abichornado,
bebendo mais que o costume,
essas coisa de rabicho, de ciúme,
vocês me entendem, ele entendeu.
Passei o dia bebendo
e ele ali no costado
me olhando de atravessado,
esperando por comida.
Nesse tempo era magrinho
que aparecia as costela.
Depois pegou mais estado
mas nunca foi de engordá.
Quando veio meu guisado,
dei quase tudo prá ele.
Um pouco, por pena dele,
e outro, que nesse dia,
só bebida eu engolia
por causa dos pensamento.
Já pela entrada do sol,
ainda pensando na moça
e nas miséria da vida,
toquei de volta prás casa
e vi que o cusco magrinho
vinha troteando pertinho,
com um jeito encabulado.
Volta prá casa, guaipeca!
Ralhei e ralhei com ele.
Parava um puco, fugia,
farejava qualquer coisa,
depois voltava prá mim.
O capataz não gostou,
na estância só tinha galgo,
mas o guaipeca ficou.
Botei o nome de sorro,
as crianças, de brinquinho,
mas o nome que pegou
foi de guaipeca amarelo.
Mas nome não é o que importa.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Ficou seis anos na estância.
Lidava com gado e ovelha
sempre atento e voluntário.
Se um boi ganhava no mato,
o guaipeca só voltava
depois de tirá prá fora.
E nunca mordeu ninguém!
Nem as índia da cozinha
que inticava com ele.
Nem ovelha, nem galinha,
nem quero-quero, avestruz.
Com lagarto, era o primeiro
e mesmo piquininho
corria mais do que um pardo.
E tudo ia tão bem...
Até que um dia azarado
o patrãozinho noivou
e trouxe a noiva prá estância.
Era no mês de janeiro,
os patrão tava na praia,
e veio um mundo de gente,
tudo em roupa diferente,
até colar, home usava,
e as moça meio pelada,
sem sê na hora do banho,
imagino lá no arroio,
o retoço da moçada.
Mas bueno, sou doutro tempo,
das trança e saia rodada,
até aí não tem nada,
que a gente respeita os branco,
olha e finge que não vê.
O pior foi o meu cusco,
que não entendeu, por bicho,
a distância que separa
um guaipeca de peão
da cachorrinha mimosa
da noiva do meu patrão.
Era quase de brinquedo
a cachorrinha da moça.
Baixinha, reboladera,
pêlo comprido e tratado,
andava só na coleira
e tinha medo de tudo,
por qualquer coisa acoava.
Meu cusco perdeu o entono
quando viu a cachorrinha.
E les juro que a bichinha
também gostou do meu baio.
Mas namoro, só de longe
que a cusca era mais cuidada
que touro de exposição.
Mas numa noite de lua,
foi mais forte a natureza.
A cadela tava alçada
e o guaipeca atrás dela
entrou por uma janela
e foi uma gritaria
quando encontraram os dois.
Achei graça na aventura,
até que chegou o mocito,
o filho do meu patrão,
e disse prá o Vitalício
que tinha fama de ruim:
Benefecia o guaipeca
prá que respeite as família!
Parecia até uma filha
que o cusco tinha abusado.
Perdão, le disse, o coitado
não entende dessas coisa.
Deixe qu'eu leve prá o posto
do fundo, com meu cumpadre,
depois que passá o verão.
Capa o cusco, Vitalício!
E tu, pega os teus pertence
e vai buscá teu cavalo.
Me deu uma raiva por dentro
de sê assim despachado
por um piazito mijado
e ainda usando colar.
Mas prometi aqui prá dentro:
mesmo filho do patrão,
no meu cusco ninguém toca.
Pego ele, vou m'embora
e acabou-se a função.
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Campiei ele no galpão,
nos brete, pelas mangueira
e nada do desgraçado.
No fim, já meio cansado,
peguei o ruano velho
e fui buscá o meu cavalo.
Com o tordilho por diante,
vinha pensando na vida.
Posso entrá numa comparsa,
mesmo no fim das esquila.
Depois ajeito os apero
e busco colocação,
nem que seja de caseiro,
se nã me ajustam de peão.
E levo o cusco comigo
pois foi o único amigo
que nunca negou a mão.
Nisso, ouvi a gritaria
e os ganido do meu cusco
que era um grito de susto,
de medo, um grito de horror.
Toquei a espora no ruano
mas era tarde demais.
Tinham feito a judiaria
e o pobrezinho sangrava,
sangrava de fazê poça
e já chorava fraquinho.
Peguei o cusco no colo
e apertei o coração.
O sangue tava fugindo,
não tinha mais esperança.
O cusco foi se finando
e os meus olho chorando,
chorando como criança.
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
Nessa hora desgraçada
o tal mocito voltou
prá sabê pelo serviço.
Botei o cusco no chão,
passei a mão no facão
e dei uns grito com ele,
com ele e com o Vitalício!
Ele puxô do revólver
mas tava perto demais.
Antes que a bala saísse,
cortei ele prá matá.
Foi assim, bem direitinho.
Não tô aqui prá menti.
É verdade qu'eu fugi
mas depois me apresentei.
Me julgaram e condenaram
mas o pior que assassino,
foi dizerem que o motivo
era pouco prá o que fiz...
Que diacho! Eu gostava do meu cusco.
Bicho não tem alma, eu sei bem.
Mas será que vivente tem?
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